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1 - Os primeiros anos
Luiz Carlos Prestes nasceu em 3 de janeiro de 1898, em Porto Alegre ... Seu
pai, Antônio Pereira Prestes... foi um dos signatários dos célebres “pactos
de sangue”, firmados pelos jovens oficiais que, sob a liderança de Benjamin
Constant, integraram a “mocidade militar”, participando ativamente da proclamação
da República. (p. 10 )
Sua mãe, Leocádia Felizardo Prestes, mulher avançada e culta, para sua época,
ainda muito jovem, escandalizou a família ao revelar o desejo de ser professora
e trabalhar fora ... em 1915, conseguiu ser nomeada professora de escola pública...
“Coragem e grande dignidade humana seriam traços marcantes da personalidade
de Leocádia Prestes, na luta cotidiana pela sobrevivência e educação dos seus
5 filhos. A influência da mãe foi marcante na formação do caráter de Luiz Carlos
Prestes ...” ( p. 10 )
... “Seus estudos foram feitos no Rio de Janeiro: no Colégio Militar e, posteriormente,
na Escola do Realengo ... Aos 22 anos, tendo se destacado pelo desempenho brilhante
na Escola Militar, onde foi sempre primeiro aluno de sua turma, Luiz Carlos
Prestes diplomou-se engenheiro militar”
“A vida militar de Prestes foi muito curta, estendendo-se apenas de 1920 a
1924. Em fins de 1922 já havia atingido, por merecimento, a patente de capitão
de engenheiros do Exército ... ( p. 12 )
... “Participa ativamente da preparação do levante de 5/7/1922 no Rio de Janeiro,
do qual não chega a tomar parte diretamente por se encontrar enfermo com tifo.
Após o fracasso do movimento, Prestes é punido com a transferência para o Rio
Grande do Sul, onde deve inspecionar a construção de quartéis”. “Com a revolta
de 5/7/1924, em São Paulo, e a retirada dos rebeldes paulistas para o oeste
do Paraná, ganha novo impulso a preparação do levante riograndense. O capitão
Prestes é um dos conspiradores mais ativos, junto com os tenentes Aníbal Benévolo,
Mário Portela Fagundes etc.” ... (p. 13 )
2 – A Coluna Prestes e o exílio na Bolívia
“Em 28 de outubro de 1924, começa o levante tenentista no Estado do Rio Grande
do Sul. Logo a seguir tem início a marcha rebelde que, mais tarde, entraria
para História como a Coluna Prestes ( ou a Coluna Invicta ) – episódio culminante
do movimento tenentista.” (p. 14 )
“Os “tenentes” assumiram as bandeiras de conteúdo liberal que, há algum tempo,
já vinham sendo agitadas pelos setores oligárquicos dissidentes”. (p. 15)
“A primeira revolta tenentista, rapidamente sufocada imortalizou-se pelo episódio
do levante dos 18 do Forte de Copacabana no dia 05/07/1922 ... O episódio repercutiu
por todo o Brasil ...E os nomes dos heróis do Forte tornaram-se símbolo do
clima de revolta então existente contra os governos das oligarquias dominantes
... (pp.15 e16)
“Em 5/7/1924, 2 anos após o levante de 1922, estourava a rebelião de São Paulo”
, inaugurando uma nova onda de revoltas tenentistas... (p. 16 ) “A conspiração
tenentista prosseguiu durante todo o ano de 1924. Após o levante paulista,
ela atingiu um ritmo mais acelerado no Rio Grande do Sul ...( p. 17 ) As condições
precárias dos rebeldes paulistas, cercados no Oeste do Paraná, contribuíram
para aguçar o espírito de luta da jovem oficialidade comprometida com a chamada
“revolução”... ( p. 17 )
“Na noite de 28 de outubro, levantou-se o 1º BF, sob o comando de Prestes e
Portela, e, na madrugada do dia 29, algumas outras unidades militares nesse
mesmo Estado”(p.18)...“A “revolução” conseguiu sobreviver apenas na região
de São Luiz Gonzaga” (p.18)
“A situação de Prestes no 1º BF, durante quase 2 anos, permitiu-lhe introduzir
nessa unidade não só um novo tipo de instrução militar, mas também um novo
tipo de relacionamento, até então desconhecido no Exército brasileiro, entre
os soldados e o seu comandante. Assim, o jovem capitão, preocupado em garantir
um boa alimentação para a tropa, adotou uma série de medidas, por exemplo,
a contratação de um padeiro e um cozinheiro. Organizou as atividades e o tempo
dos seus subordinados de maneira que todos pudessem estudar, receber educação
física e instrução militar, além de trabalharem na construção da linha férrea
que ligaria Santo Ângelo a Giruá (RS)” . O próprio Prestes tornou-se professor
e criou 3 escolas: uma para alfabetização e outras duas de primeiro e segundo
graus. Em 3 meses, não havia mais analfabetos na companhia. Prestes não só
comandou seus soldados mas também, ao mesmo tempo, trabalhava junto com eles,
levando a mesma vida de seus subordinados”. (p.19)
Em dezembro de 1924, 14 mil homens, sob o comando do Estado- Maior governista,
marchavam sobre São Luiz Gonzaga. Formavam o chamado “anel de ferro”, com o
qual se pretendia estrangular os rebeldes – cerca de 1,5 mil homens, armados
precariamente e quase desprovidos de munição -, acampados em torno da cidade.
O governo adotava a “guerra de posição” – a única tática que os militares brasileiros
conheciam e que, de acordo com o modelo dos combates travados durante a I Guerra
Mundial, consistia em ocupar posições, abrindo trincheiras e permanecendo na
defensiva, à espera do inimigo. Ou, então, quando as posições inimigas estavam
localizadas, definia-se o objetivo geográfico” para onde se devia marchar,
com a meta de cercar o adversário”(p.20)
“Prestes, assessorado por Portela, põe então em prática a “guerra de movimento”-
uma espécie de luta de guerrilhas”(pp. 20-21)... “O rompimento do cerco de
S. Luis pelos rebeldes e a marcha vitoriosa da Coluna comandada por Prestes
em direção ao norte, visando socorrer os companheiros de São Paulo, cercados
pelas tropas do general Rondon, constituiu a primeira grande vitória da nova
tática militar imaginada por Prestes”.
Em 12/4/1925, na cidade paranaense de Foz de Iguaçu, deu-se o encontro histórico
das tropas gaúchas com os rebeldes paulistas. A proposta de Prestes de prosseguir
na luta, dando continuidade à Marcha rebelde, acabou prevalecendo. O principal
objetivo era manter acesa a chama de rebeldia tenentista e, com isso, atrair
as forças inimigas para o interior do país – o que poderia contribuir para
o êxito dos “tenentes”, que conspiravam no Rio de Janeiro e em outras capitais,
preparando novos levantes.
Após a junção das colunas paulista e gaúcha, as tropas rebeldes foram reorganizadas,
criando-se a 1ª Divisão Revolucionária, constituída pelas brigadas “São Paulo”
e “Rio Grande”, sob o comando do major Miguel Costa, o oficial de maior patente,
promovido a general-de-brigada pelo general Isidoro. Ao todo a divisão contava
com menos de 1,5 mil combatentes, sendo 800 da coluna gaúcha e os restantes
da coluna paulista. Havia cerca de 50 mulheres, entre gaúchas e paulistas,
que na maioria dos casos, acompanhavam seus maridos e companheiros.
A formação da 1ª Divisão Revolucionária representou a vitória da perspectiva
aberta por Prestes de os rebeldes atravessarem o rio Paraná e marcharem para
Mato Grosso, dando continuidade à revolução tenentista.
Enquanto as tropas paulistas haviam sofrido uma séria derrota em Catanduvas
(PR), a Coluna Prestes vinha do Sul coberta de glórias. Nessas circunstâncias,
Prestes teria um papel destacado à frente da 1ª Divisão Revolucionária. O General
Miguel Costa tornara-se comandante geral, mas, reconhecendo a competência e
o prestígio de Prestes, entregou-lhe, na prática, o comando da Coluna.
A Coluna Prestes, que nascera no Rio Grande do Sul, partiu do Paraná revigorada
pela junção com os rebeldes que se haviam levantado em São Paulo, em 5/7/1924.”
(pp. 21/22).
“Baseado na experiência do 1º BF, Prestes transformou a tropa rebelde num exército,
em que vigorava a disciplina militar e, ao mesmo tempo, era estimulada a iniciativa
dos soldados”. (p.22)
“Adotou-se, por exemplo, o método gaúcho de arrebanhar animais, as “potreadas”:
pequenos grupos de soldados se destacavam da tropa em busca não só de cavalos
para a montaria e de gado para a alimentação, mas também de informações, que
eram transmitidas ao comando. Esses dados constituíram elementos valiosos para
a elaboração de mapas detalhados sobre cada região atravessada pelos rebeldes,
permitindo que a tática da Coluna fosse traçada com precisão e profundo conhecimento
do terreno” (p.23)
“A Coluna não se poderia transformar num exército revolucionário, movido por
um ideal libertário, se não incutisse em seus combatentes uma atitude de respeito
e solidariedade em relação ao povo com quem mantinha contato. Qualquer arbitrariedade
era punida com grande rigor” (pp. 23/24)
“A Coluna Prestes durou 2 anos e 3 meses, percorrendo cerca de 25 mil quilômetros
através de 13 Estados do Brasil. Jamais foi derrotada...tendo enfrentado ao
todo 53 combates ... A Coluna, em seu périplo pelo Brasil, derrotou 18 generais”
(p.24).
“Dado o fracasso governista no combate à Coluna Prestes, ela poderia continuar
percorrendo o país ... Mas Prestes compreendeu que havia chegado a hora de
mudar de tática” ...o comando da Coluna tomou a decisão de partir para o exílio,
ingressando na Bolívia em 3/2/1927” ...os rebeldes chegaram à Bolívia com o
moral elevado, cônscios de que haviam cumprido o seu dever, sem nada receber
em troca”. (p 25) ... A Coluna, praticamente desarmada, contando apenas 620
homens, havia vencido todos os embates com as forças governistas”. (p. 25)
... A sobrevivência da Coluna Prestes constituiu um fator decisivo para que
em diversos pontos do país, eclodissem levantes tenentistas”. ( p.26) ... a
Coluna Prestes contribuiu para que, durante vários anos, fosse mantido um clima
“, revolucionário” no país, favorável à germinação das condições que levaram
ao colapso a República Velha e à vitória da chamada Revolução de 30”. (p. 26)
A Marcha da Coluna e o impacto causado em Prestes pela situação deplorável
em que viviam as populações do interior do Brasil o levaram à conclusão de
que a simples mudança de homens no poder não seria a solução para os graves
problemas do país.” (p. 26)
“No exílio, primeiro na Bolívia, e posteriormente na Argentina e no Uruguai,
Prestes daria início ao estudo das obras de K. Marx, F. Engels e V. Lênin.”
(p.26)
“Anos mais tarde, Luiz Carlos Prestes viria a se transformar na principal liderança
do movimento comunista no país. A Coluna Prestes gerara o líder mais destacado
da revolução social no Brasil” (p.26)
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